Anish Kapoor | Inflamação

Casa Bradesco, São Paulo, SP

2024

Produção Executiva

Curadoria: Marcello Dantas

 

“O corpo não é contido; o vermelho é a recusa ou a incapacidade de conter, a racionalidade não é suficiente. Meios racionais levam a um objeto irracional. Desconfinado e descontrolado.” – Anish Kapoor

“A paisagem exterior é uma abstração visível, mas é na paisagem interior que encontramos uma realidade invisível. Anish Kapoor nos convida a contemplar o que existe para além do que vemos, o que sentimos internamente. E se um espelho fosse capaz de nos revelar como somos por dentro? Saberíamos logo que somos imensamente maiores do que parecemos por fora. A cor desse universo interior é majoritariamente o vermelho, e embora alguns matizes possam desencadear uma ampla variedade de respostas nos espectadores, o vermelho e talvez, o pigmento ao qual quase todos nós respondemos de alguma forma similar. Em um mundo marcado por diferenças extremas, é crucial lembrar que, em nossos âmagos, somos todos igualmente vermelhos. Anish Kapoor explora a natureza não verbal da cor com um simbolismo pré-verbal. Dispensando o uso de palavras ou mesmo de um pensamento articulado, na obra de Kapoor, o vermelho serve como uma rota direta e visceral para a nossa interioridade: é sangue, corpo, nascimento, morte. Seu tom, da viscosidade escarlate vívida até o acúmulo de escuridão coagulada, nos leva por uma jornada de retorno. Nas palavras de Kapoor, “o vermelho é o centro”.
(…)
Vivemos em uma era de permanente inflamação, o que fala de um tempo em que o indivíduo e o coletivo estão em alerta, continuamente à flor da pele, com o dedo no gatilho, diante da impossibilidade de cura e do desejo de transformação. A inflamação é, assim, a energia da mudança.” – Marcello Dantas